As Bolsas de Produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) estão entre as mais relevantes distinções concedidas a pesquisadores brasileiros. Mais do que apoio financeiro, elas funcionam como um selo de qualidade, capaz de projetar cientistas e instituições no cenário nacional e internacional. A cada chamada pública, o CNPq seleciona projetos que se destacam pela consistência, impacto e rigor metodológico, garantindo não apenas a continuidade de pesquisas de alto nível, mas também a contribuição efetiva para o avanço científico, social e econômico do país.
Um dos reflexos desse reconhecimento pode ser observado nas pesquisadoras da Universidade Tiradentes (Unit) que, na última chamada, tiveram projetos aprovados em diferentes áreas do conhecimento. Entre elas estão a Dra. Cristiane de Magalhães Porto e a Dra. Simone Silveira Amorim, ambas do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPED).

De acordo com a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Unit, Patrícia Severino, às bolsas fortalecem diretamente os programas de pós-graduação, elevando a avaliação da instituição junto a órgãos como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e o CNPq. Também contribuem para atrair alunos qualificados, ampliar parcerias e impulsionar a captação de recursos.
“Docentes contemplados com bolsas de produtividade conquistam maior prestígio e expandem a produção científica e tecnológica. A presença desses pesquisadores garante que os estudantes, desde a iniciação científica, sejam orientados por profissionais de excelência, estimulando uma cultura de rigor acadêmico e abrindo caminho para oportunidades em congressos e publicações”, destaca.
O CNPq concede bolsas de diferentes modalidades de fomento à pesquisa. Entre elas, estão as de Produtividade em Pesquisa (PQ) e Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT), categorias nas quais as pesquisadoras foram aprovadas. A bolsa PQ é voltada a pesquisadores que se destacam pela produção científica e pela contribuição para o avanço do conhecimento em sua área de atuação. Já a bolsa DT é direcionada a pesquisadores que se destacam tanto pela produção científica como pelo desenvolvimento de tecnologias e pela transferência de conhecimento para a sociedade.
A professora Simone Amorim, contemplada na categoria PQ-C, explica que esse nível corresponde ao primeiro degrau dentro da classificação de produtividade em pesquisa, concedida a quem apresenta produção científica relevante e potencial de crescimento na carreira. Sua proposta investiga a formação crítica de doutores em Educação, articulando ensino, pesquisa e internacionalização. “O projeto está vinculado à Educação Permanente e busca compreender de que forma a formação crítica, reflexiva e intercultural pode ampliar a compreensão sobre o poder transformador da educação. Nosso objetivo é gerar evidências que contribuam tanto para o debate acadêmico quanto para políticas educacionais”, detalha.
Simone orienta mestrandos e doutorandos em projetos que têm gerado contribuições relevantes para o campo, tanto em termos de publicações quanto de proposições concretas em contextos educacionais diversos. “Também participo da organização de eventos científicos, de grupos de pesquisa e faço interlocução com pesquisadores e pesquisadoras de outras instituições no Brasil e em outros países, como Estados Unidos, Espanha, Portugal e Letônia, fortalecendo a visibilidade e a inserção nacional e internacional do nosso Programa”, compartilha.
A professora Cristiane Porto, bolsista PQ-B, atua no comitê de Divulgação Científica e pesquisa a divulgação científica em ambientes digitais, investigando como a Inteligência Artificial Generativa pode apoiar a mediação da ciência em diferentes plataformas. Para o quadriênio 2025-2029, seu projeto prevê mapear e desenvolver estratégias inovadoras de engajamento na divulgação científica digital. “Eu trabalho com Divulgação Científica, especialmente no espaço digital em rede, e também pesquiso sobre Educação e Cibercultura, focando nas tecnologias digitais aplicadas à Educação. Atualmente, estudo o uso da Inteligência Artificial Generativa e como ela pode colaborar para uma divulgação científica que vá além do texto”, explica.
Para as pesquisadoras, a aprovação nesta chamada do CNPq representa não apenas um reconhecimento individual, mas também um importante indicativo da qualidade e da relevância da pesquisa desenvolvida na região Nordeste e, em especial, no Programa de Pós-Graduação em Educação da Unit. “Em um cenário em que os centros de pesquisa do eixo Sul-Sudeste historicamente concentram índices de fomento e visibilidade significativos, conquistar uma bolsa de produtividade em pesquisa a partir de um programa do Nordeste é afirmar, com dados e resultados, que a excelência científica não tem fronteiras geográficas. Além disso, esse reconhecimento”, elencam.