Ester Villas-Boas vai integrar, pela segunda vez, a Comissão de Avaliação dos programas de pós-graduação em Educação, além de participar da seleção de trabalhos para um congresso internacional de pesquisas da área, a ser realizado em outubro na Paraíba
“Olhando para o passado, eu faço o meu futuro”. Esta frase é uma autodefinição que resume a vida acadêmica e profissional da professora-doutora Ester Fraga Villas-Bôas Carvalho do Nascimento, que acaba de completar 20 anos de Universidade Tiradentes (Unit), com a maior parte do tempo dedicado principalmente ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPED). Essa trajetória na instituição acaba de ser coroada com duas importantes indicações de alcance nacional e internacional.
A primeira veio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que a convidou para integrar a Comissão de Avaliação da Área de Educação. O grupo é responsável por fazer a avaliação de todos os 188 programas de pós-graduação (PPGs) em Educação que funcionam hoje no Brasil. A outra indicação veio da Associação Nacional de Pós-Graduação em Educação (Anped) e da World Education Research Association (Wera), que estão organizando em conjunto os seus principais congressos, marcados para ocorrer entre 26 e 30 de outubro, em João Pessoa (PB). Ester fará parte da Comissão Científica das duas entidades, que ficará responsável por analisar os trabalhos científicos inscritos para apresentação nos dois eventos.
Uma carreira que chegou à Unit na mesma época em que ela concluiu o doutorado em Educação: História, Política, Sociedade, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 2006, após cerca de um ano lecionando nos cursos de licenciatura ofertados na época, Ester foi convidada para organizar e implementar o Núcleo de Pós-Graduação em Educação (NPED), que se transformou no PPED a partir de 2009, com as aprovações, pela Capes, dos cursos de Mestrado e Doutorado. Um pouco depois, a professora atuou na Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (atual Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão).
O destaque maior, contudo, é o trabalho de pesquisa desenvolvido no PPED, principalmente nas áreas de História da Educação, Formação Docente e Saberes e Práticas Educacionais, entre outras. Em 2012, Ester passou a ser Bolsista de Produtividade de Pesquisa em Educação do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), sendo a primeira da área em Sergipe.
A comissão da Capes
A Capes é o órgão do Ministério da Educação (MEC) que regula, fiscaliza e dirige os cursos e programas de pós-graduação em todo o país, incluindo os mestrados e doutorados acadêmicos (stricto sensu) e profissionais (lato sensu). Suas comissões de avaliação são formadas pelos pesquisadores mais experientes de cada área de conhecimento. Em cada ciclo de quatro anos, eles fazem uma série de visitas, reuniões e coletas de dados em cada programa de pós-graduação, avaliando e elaborando pareceres com base em critérios como corpo docente, infraestrutura, produção acadêmica, impacto social e cultural, internacionalização e alinhamento das teses e dissertações com os projetos principais de cada docente, entre outros.
Esta é a segunda participação de Ester Villas-Bôas em uma Comissão de Avaliação da Área de Educação. Em 2021, ela recebeu o primeiro convite e passou a trabalhar com a mesma Comissão, fazendo os pareceres e as avaliações dos PPGs ao longo do quadriênio que termina agora em 2025.
De olho no mundo
Já a Anped é a entidade que reúne todos os programas de pós-graduação na área de Educação, sendo a principal instância nacional de afirmação teórica e divulgação da produção científica de seus professores e alunos. Fundada em 1978, ela tem cinco coordenações regionais e 23 grupos temáticos de trabalho, sendo que em um deles, o de História de Educação, já teve a professora Ester como vice-coordenadora. E a Wera, que é a associação internacional de pesquisas em educação, existe desde 2009 e congrega 29 entidades nacionais e continentais, incluindo a Anped.
As duas entidades vão organizar suas reuniões bianuais no campus da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, discutindo o tema Neoconservadorismo no mundo e a educação frente às violências sócio-político-ambientais. “Esse evento é um organismo que discute o que está posto na educação mundial e quais são os próximos passos. Estamos trazendo gente do mundo todo para esse evento, e o comitê científico é a junção dos pesquisadores que são reconhecidos pela sua produção, sua circulação, a divulgação dos seus trabalhos e a seriedade com a qual eles têm trabalhado em todo esse tempo”, descreve Ester.
Ao todo, o comitê científico terá 59 integrantes, divididos em equipes para analisar trabalhos científicos em português, inglês e espanhol. Os pesquisadores representam universidades e instituições do Brasil e de outros 12 países: Estados Unidos, México, Argentina, Peru, África do Sul, Singapura, Turquia, Portugal, Espanha, Alemanha, Inglaterra e Irlanda.