Não há dúvidas de que a Região Nordeste, e em particular o Estado de Sergipe e seus vizinhos mais próximos, os Estados da Bahia, Alagoas e Pernambuco, apresentam uma vocação natural para as atividades industriais relacionadas ao uso e transformação de recursos naturais minerais e agrícolas. Mais importante, ainda, é a base industrial instalada, que é suficiente para garantir o sucesso de iniciativas voltadas à formação de pessoal técnico qualificado para a indústria e às atividades de transformação dessas matérias-primas. Fica claro, também, que esses Estados se beneficiarão fortemente do desenvolvimento de alternativas tecnológicas que permitam agregar valor aos recursos minerais e agrícolas abundantes nessa região.

Em função desse cenário, não chega a ser surpreendente, portanto, que existam cursos de graduação em Engenharia Química em cada um desses Estados da Federação. Há ainda cursos de mestrado em Engenharia Química nos Estados da Bahia e de Pernambuco. Porém, esses cursos estão baseados sobretudo nos processos petroquímicos tradicionalmente relacionados à indústria de refino do petróleo. O processamento de recursos minerais e energéticos costuma ser estudado nos cursos de Engenharia Metalúrgica e de Materiais, enquanto o processamento de recursos agrícolas costuma ser estudado nos cursos de Engenharia de Alimentos e de Engenharia Agrícola. No entanto, não há qualquer curso de mestrado em Engenharia Metalúrgica e de Materiais, de Engenharia de Alimentos ou de Engenharia Agrícola, estabelecido na região geográfica considerada (da Bahia a Pernambuco). Portanto, a despeito das potencialidades oferecidas pela região Nordeste, não há qualquer trabalho consistente de pesquisa sendo feito na área genérica de uso e transformação de recursos naturais em Sergipe e nos estados vizinhos.

É interessante observar que, apesar das técnicas de processamento de minérios, de petróleo e de recursos agrícolas serem tradicionalmente estudadas em diferentes disciplinas da Engenharia, em vários aspectos essa divisão soa arbitrária e tende a isolar profissionais que poderiam se beneficiar da convivência técnica. Afinal, independentemente da fonte original das matérias-primas, todos esses profissionais têm que tratar das transformações físicas e químicas que ocorrem durante o processo industrial. Por exemplo, não há razões técnicas profundas que justifiquem a separação em diferentes disciplinas das operações que envolvem manipulação de sólidos (nas minas, nas plantas industriais, nos silos), das transformações promovidas por agentes biológicos (no tratamento de efluentes industriais e nas fermentações para produção de álcool). Além disso, a descrição dos diferentes processos está baseada em princípios comuns de conservação de massa, energia e quantidade de movimento, leis cinéticas de transporte de massa e energia, princípios termodinâmicos de equilíbrio etc. Mais ainda, os diferentes processos põem desafios semelhantes de controle da operação, da reciclagem dos rejeitos industriais etc.

Assim, o Programa de Pos-Graduacão em Engenharia de Processos (PEP), na Universidade Tiradentes – UNIT, em Aracaju – SE tem como área de concentração o Uso e Transformação dos Recursos Naturais do Nordeste, dividindo-se em 2 linhas de pesquisa:

(a) Uso e Transformação de Recursos Minerais e Energéticos;
(b) Uso e Transformação de Recursos Agrícolas.

Nesse contexto, os seguintes tópicos de pesquisa estão contemplados em ambas as linhas de pesquisa do Mestrado em Engenharia de Processos:

  1. Tecnologia de Petróleo e Gás
  2. Tecnologia Ambiental
  3. Equilíbrio de Fases e Processos de Separação
  4. Catálise e Cinética de Processos
  5. Processamento de Alimentos e Bioprocessos
  6. Polímeros e Tecnologia de Materiais
  7. Modelagem, Simulação e Controle de Processos